Exame da Uerj está mais próximo do modelo adotado pelo Enem, afirmam professores e alunos

Segunda prova da primeira fase do vestibular estadual aconteceu no domingo


Milhares de alunos realizaram domingo a segunda prova do exame de qualificação, na primeira fase do Vestibular da Uerj. Porém, a impressão era de que estavam fazendo um outro exame: o Enem. Como as questões exigiam mais interpretação e menos decoreba, professores e estudantes evidenciaram que a prova estadual se aproximou do modelo do exame nacional.

— Vi uma prova mais parecida com o Enem e muito diferente do meu primeiro vestibular há cinco anos. A sensação é de que o exame mudou bastante — afirmou Gustavo Leitão, de 23 anos, que se formou em Letras mas agora está tentando uma vaga no curso de Jornalismo.

A sensação de Gustavo é compartilhada pelo coordenador de vestibular do colégio QI, Renato Pellizzari.

— Impressiona que o exame de qualificação se aproxime cada vez mais do modelo de Enem, contudo ainda há algumas questões mais conteudistas. Uma delas foi a que abordou a Revolução Cultural, na China. Não tinha como responder somente através da interpretação. Mas, como um todo, a prova vem chegando mais perto do modelo adotado pelo Enem.

Da mesma forma que o exame nacional cobra mais a habilidade do aluno em interpretar gráficos e textos, o exame da Uerj chamou a atenção da estudante Ana Medeiros por ter poucas questões que exigissem conhecimento prévio do estudante.

— Como no Enem, a prova de Português e a parte de (Ciências) Humanas exigiram uma atenção com os textos, mas dava para fazer sem saber os conteúdos. Na parte de Exatas, era um pouco diferente, mas nada que surpreendesse.

Apesar disso, a estudante achou a prova um pouco mais difícil do que a primeira aplicada neste ano.

— Acho que, até pelas leituras, achei a prova mais complicada de fazer.

Para Pellizzari, o teste teve o mesmo nível do anterior, mas os alunos acreditam em um mito — que para o professor não é real — de que a segunda prova é mais fácil do que a primeira.

— Sempre fica aquela expectativa de que o segundo exame é mais fácil. Mas nunca senti isso. Na verdade, a diferença nos conceitos de A e B é muito maior entre as provas porque o aluno passa a ter mais tempo de estudar. Não é por causa da dificuldade da prova.

Ronaldo Ayres, professor de Física do colégio Pensi, também não viu muita diferença entre as provas e afirma que os alunos não tiveram grandes surpresas.

— O exame de qualificação não aborda toda a ementa do ensino médio. O que costuma cair é bem previsível. Já na segunda fase, a prova aborda mais conteúdos. O aluno tem que pegar o edital e ver o que ainda não estudou e se planejar. Em Física, por exemplo, matérias como Óptica e Ondas caem na segunda fase e não na primeira.

Gustavo Leitão, que já carrega dois vestibulares nas costas, acredita que vai tirar A, o conceito máximo, na prova. Mas não comemora e nem muda seu planejamento de estudo para os próximos meses.

— Não dá para só focar nas específicas agora, porque ainda tem o Enem, que cobra tudo. Porém, se tirar A, isso dá um fôlego para me dedicar mais.

As inscrições para a segunda fase do Vestibular da Uerj começam no dia 22 deste mês, e a prova será no dia 29 de novembro. Somente quem acertou mais de 40% no exame de qualificação pode se inscrever.


Fonte: matéria retirada do site do O Globo, http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/exame-da-uerj-esta-mais-proximo-do-modelo-adotado-pelo-enem-afirmam-professores-alunos-17479764