Escadaria Selarón, na Lapa, é tombada por interesse histórico

Jorge Selarón, artista plástico responsável pela escadaria, morreu em janeiro de 2013


A escadaria que o artista plástico chileno Jorge Selarón transformou na “maior escultura no mundo feita por um único indivíduo”, segundo a revista National Geographic, e foi palco de sua morte, vai continuar encantando turistas e boêmios que visitam a Lapa. Tombada pela Câmara dos Vereados, a Escadaria Selarón não poderá mais ser demolida ou modificada sem a aprovação de órgãos da Prefeitura.

A lei municipal 5.927/2015, proposta pelo vereador Jefferson Moura (PSOL) no ano passado, chegou a ser vetada pelo prefeito. Entretanto os vereadores derrubaram o veto no início do mês, e a lei foi publicada no Diário Oficial do município nesta quarta-feira.

— A cidade do Rio ganhou um presente do artista Selarón, o segundo lugar mais visitado da cidade. O tombamento da escadaria é um gesto de retribuição ao bem que ele fez. Selarón pintava sempre a mulher grávida. Acho que com essa lei, nasce o reconhecimento de sua obra, que a partir de agora terá que ser protegida pelo poder público — afirmou Moura.

 

SUICÍDO E AMEAÇAS DE MORTE

 

Com 215 degraus e 125 metros de comprimento, a escadaria que liga os bairros da Lapa e Santa Teresa começou a ser enfeitada com azulejos por Selarón em 1994. Desde então, turistas trouxeram peças do mundo inteiro, que também foram fixadas na escada. Atualmente, são mais de 2 mil azulejos em pedaços ou inteiros. Além disso, o artista instalou banheiras e plantou árvores, criando jardins suspensos.

Além de ter virado ponto turístico, a Escadaria Selarón começou a atrair outro tipo de público: usuários de drogas e traficantes. Ao longo de 2012, a situação se agravou e Selarón chegou a contratar um segurança para coibir a venda de drogas no local.

No início do ano seguinte, o corpo do artista foi encontrado com marcas de queimadura na escada que ganhou seu nome. Ao lado do corpo de Selarón havia uma lata de solvente de tintas. A delegada Renata Araújo, da Divisão de Homicídios, que investigou o caso, afirmou na ocasião que a principal hipótese para a morte de Selarón, de 65 anos, era o suicídio.

 

Fonte: matéria retirada do site do O Globo, http://oglobo.globo.com/rio/escadaria-selaron-na-lapa-tombada-por-interesse-historico-17307599